quarta-feira, 28 de abril de 2010

7 a.m.

Já andou de metrô? Deveria ter andado. Tudo bem que as chances de você encontrar alguém que seja do teu interesse, salvar alguém que te importe, é pequena. Mas é bom ver muitos rostos misturados. E quem sabe um deles não é o que vai fazer a diferença para ti na multidão?


Eu costumava andar muito de metrô. De manhã, ensaio, voltando do estádio, indo fazer salário. Garanto que para mim, é uma viagem quase espacial. Eu coloco os meus fones de sempre, escolho uma música. Pena não poder cantar.
Você acha coincidência que eu a encontre todos os dias, no mesmo vagão, no mesmo horário, indo ao mesmo lugar que eu? Isso é sério. E eu tive a sorte. Eu tomei a liberdade de não falar nada, eu fico quieto. Ela não precisa saber quem eu sou; nem aonde vou -embora ela sempre perceba. Só vou recordar de que certas coisas, não acontecem em vão. Destino. Essa é a palavra.

Só sei que a beleza dela é incontestável. É entediante ainda não poder ter provado de sua voz, quem dirá do seu gosto. Não há como ver um sorriso nessa hora da manhã, ela sozinha. Mas mesmo assim eu insisto, tenho certeza de que é um belo sorriso. Engraçado é que sempre que chego em casa, não me lembro das feições dela. A minha mente, a minha imaginação, não são o bastante para conseguir realizar a façanha de fazer seu esboço. Seria muito atrevimento. Teria que examinar cada detalhe que a faz ser perfeita.

Se vou encontrá-la mais vezes? Se a sorte insistir em me sorrir. Se vai me acrescentar algo? Ah, é bom pensar em alguém em algumas horas do teu dia.

Por que isso acontece todos os dias? Estou a descobrir, juro que não conto os passos para chegar no vagão que ela sempre está, nem marco a hora exata de que saio de casa. Quando me atraso, ela também o faz.
Seria um holograma, um sinal? Acho que estou exagerando. :)


Todos têm de realizar essa experiência um dia. Quem sabe não teriam a sorte que tive.

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