sábado, 26 de junho de 2010

Sonda

Céu estrelado
Lua gelada
Estrela selada no brilho

Brilho selado
Gelo luado
Estrela ceuzada nos cílios

Íris da cor
Retina de flor
Cílios irados no vil cobertor

Flores retinadas
Vis e brilhadas
Ira cilhada como pude supor

E é assim que sinto-me
Conhecendo o sabor
De olhar em teus olhos
Estrelados de cor

terça-feira, 22 de junho de 2010

Sem título (lê-se falta de bom senso alheio).

Poucas palavras pelo tempo escasso. O tempo passa e carrega toda a sua vida, consequência das escolhas erradas das pessoas certas. Mas não se preocupe. Elas te levam a um lugar melhor, pois não importa onde você está, tem sempre alguém que olha por ti.
E nunca se esqueça de sua grande paixão;
Seja expulso de casa, mas não deixe que lhe tirem o amor próprio.
Viva intensamente, seja você mesmo. Sua maturidade virá na hora que tiver que vir. Ela será seu guia, mas não hesite em usar sua emoção. Chore. Viva. Sorria.

E quando você estiver sentindo tudo desabar.. quando não sobrar mais esperanças, e tudo estiver realmente diferente...

Este é o momento: tire os pés do chão, voe, para bem longe.
Não deixe que te impeçam de voar. Sonhar é bom demais.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Privação

Falta inspiração. Faltam dias para estar em um lugar procurando no que pensar. Falta entrega, causa para se tornar insone. Luz para quem não vê, palavras não seriam demais. Falta um abraço, um ombro amigo. Falta respeito de tais inimigos.

Falta cor, traços teus. Bom senso, bom humor. Sol, e o calor que ele traz, um satélite que rege tanto quanto é capaz. Falta doçura, falta ternura. Falta carinho à quem está sozinho. Um pouquinho, um beijinho.

Falta espanto. Ter mais coragem e determinação, se acomodar menos. Falta coração. Falta ficar perto, falta tinta, conto incerto. Quem traga o sereno, mata perene. Me falta crer, em qualquer palavra que não comece com a letra 'c'. Falta saber que falta Gal, Caetano. Falta uma voz que eu já estava acostumado nos dias de domingo. Prazer.


Me falta você.

domingo, 6 de junho de 2010

Quimera

Eu te vi da janela, na terceira esquina da Boulevard. A ténue luz do luar que causava inveja nas pequenas estrelas foscas, iluminava a rua. Via o porto um pouco distante, e pensava no infeliz que inventou a quilometragem: coisa besta, nos tira o sossego. Se ela não existisse, a saudade não faria sentido.

Eu realmente preciso sair.

Pequeno clarão, chegando num lugar como o Riverside, pensei em te procurar. Decidi ficar ao lado da dúvida, me entregar à sozinhez. Nunca fui uma grande amante, não costumava a mudar de abrigos. Desejava somente o teu, a me aquecer; o meu, para me lembrar e te fazer esquecer; o nosso para deixar de sonhar, e tornar a acontecer. Ainda posso sonhar?! Me diga.

Antes de encontrar vestígios em tudo o que você deixou, nos bilhetes, nos livros, conjecturei sua ida presunçosa. Você bem sabia que eu pensaria a todo momento em seu corpo. E o tempo que era pouco, só de pensar que você me tirou a razão, me fez paixão, me convidando para viver. Fui me envolvendo, me entregando. Aprendi a gostar, mas você esqueceu de me ensinar a te esquecer.

E eu fico e ficarei aqui, brincando de pensar em ti.
Poderia te observar de perto por mais dois minutos. Mas não pela vida inteira.
Minha vontade de ti não deixaria.