"Uma noite de amor é um livro a menos para se ler."
O sol mudava os seus feixes ao passar pelas frestas. Um leve pano tentava fazê-los escapar, meio caído, metade presa à janela. E eu estava sentado numa poltrona cor de gim, ouvindo o som da chuva. Um ambience normal, que traz segredos de liquidificador à tona. E como um fantasma que todos falam, mas poucos vêem, chega o meu amor.
Você mexe nos cabelos, - os pequenos dedos puxam um ramo dos tais- os cachos ao agraciado vento, sortudo por poder tocar-te. E teus olhos bem torneados, hipnotizadores, me deixam trôpego. E poderia dizer, que a vista mais embaçada, a paisagem por de trás, não é nada, se comparada ao teu pescoço livre, pedindo meus lábios. O sol te ilumina - como se você precisasse, como se não tivesse luz própria. E por que estás tão longe? No rastro do teu caminhar, no ar onde você passa, não cabem mais sonhos meus.
E esse seu meio-sorriso, me faz te querer, só por te querer. Juro que se pudesse, atravessaria a tela, e chegaria até voce. Tão alto, tão fugaz. Só não sei se você deixaria eu te fazer calor, pois todo o calor que precisas, já tens.
E nesses tempos, em que tudo que é escrito, é odiado, rasgado, por essas mãos sôfregas de desejo, despeço-me: um leve abanar de mãos. Mas tua imagem vai ficar para sempre guardada no farol dos dias claros, aqui dentro.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Os dias ficaram lindos
Ele vai mudar. Vai dizer que ficou, leu e sentiu. Vai desejar começar um novo amor como sempre quis, vai despontar palavrões finos e observar pernas viris. Vai ler novamente, só para garantir cultura obsessiva. Vai escrever e proclamar. Vai se ajoelhar e pedir para ficar.
Ela vai mudar. Vai dizer que partiu, ignorou e mentiu. Vai descartar começar uma nova paixão como supunha, falar finamente como quem já despontou e depilar suas pernas, roer a própria unha. Vai assegurar sua ignorância, sua ganância obssessiva. Vai ler, amassar, no lixo jogar. Vai dizer que não dá mais pra junto dele ficar.
E nesses vai-e-véns do nosso tempo, Ele deixará frases ao relento:
Eu não te amo porque existo.
E sim, existo porque te amo.
Ela vai ouvir?
Ela vai mudar. Vai dizer que partiu, ignorou e mentiu. Vai descartar começar uma nova paixão como supunha, falar finamente como quem já despontou e depilar suas pernas, roer a própria unha. Vai assegurar sua ignorância, sua ganância obssessiva. Vai ler, amassar, no lixo jogar. Vai dizer que não dá mais pra junto dele ficar.
E nesses vai-e-véns do nosso tempo, Ele deixará frases ao relento:
Eu não te amo porque existo.
E sim, existo porque te amo.
Ela vai ouvir?
domingo, 5 de setembro de 2010
Quando me vi sentado naquele banco, na esquina da avenida, chegaram em mim vários sentimentos: um, me afastava de Thereza, e o outro - bom, o outro também, apesar d'eu não querer que assim fosse. Mas ela foi minha dor menos efêmera.
O que dá nas pessoas quando se encontram? Cadê aquele amor em que eu acreditava: torto, sem rumo, calado e dito, invisível e presenciado, surrado e bem-visto, o mais querido dos amantes, mais desejado dos intediados? Sumiu. Sumiu outra vez.
E por um momento, eu não quis lembrar que tinha parado de escrever e do amor - que tive e morreu - que é incurável, assim como minha obsessão pelo mesmo.
Mas quando eu vislumbrei aquele belo rosto driblando o vão da calçada, fui atrás. Ao correr, senti o coração pular, a subclávia quase estourou. A puxei e constatei: não era Thereza. Mas era o amor novamente, à porta. Mal ele sabe, que cruel a dor na casa onde ele não bate.
O que dá nas pessoas quando se encontram? Cadê aquele amor em que eu acreditava: torto, sem rumo, calado e dito, invisível e presenciado, surrado e bem-visto, o mais querido dos amantes, mais desejado dos intediados? Sumiu. Sumiu outra vez.
E por um momento, eu não quis lembrar que tinha parado de escrever e do amor - que tive e morreu - que é incurável, assim como minha obsessão pelo mesmo.
Mas quando eu vislumbrei aquele belo rosto driblando o vão da calçada, fui atrás. Ao correr, senti o coração pular, a subclávia quase estourou. A puxei e constatei: não era Thereza. Mas era o amor novamente, à porta. Mal ele sabe, que cruel a dor na casa onde ele não bate.
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