terça-feira, 21 de setembro de 2010

Scusa ma ti chiamo amore

"Uma noite de amor é um livro a menos para se ler."


O sol mudava os seus feixes ao passar pelas frestas. Um leve pano tentava fazê-los escapar, meio caído, metade presa à janela. E eu estava sentado numa poltrona cor de gim, ouvindo o som da chuva. Um ambience normal, que traz segredos de liquidificador à tona. E como um fantasma que todos falam, mas poucos vêem, chega o meu amor.

Você mexe nos cabelos, - os pequenos dedos puxam um ramo dos tais- os cachos ao agraciado vento, sortudo por poder tocar-te. E teus olhos bem torneados, hipnotizadores, me deixam trôpego. E poderia dizer, que a vista mais embaçada, a paisagem por de trás, não é nada, se comparada ao teu pescoço livre, pedindo meus lábios. O sol te ilumina - como se você precisasse, como se não tivesse luz própria. E por que estás tão longe? No rastro do teu caminhar, no ar onde você passa, não cabem mais sonhos meus.

E esse seu meio-sorriso, me faz te querer, só por te querer. Juro que se pudesse, atravessaria a tela, e chegaria até voce. Tão alto, tão fugaz. Só não sei se você deixaria eu te fazer calor, pois todo o calor que precisas, já tens.

E nesses tempos, em que tudo que é escrito, é odiado, rasgado, por essas mãos sôfregas de desejo, despeço-me: um leve abanar de mãos. Mas tua imagem vai ficar para sempre guardada no farol dos dias claros, aqui dentro.

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