Já roubei dezessete beijos, fiz dezessete amigos, e li mais de dezessete livros. Nenhum dos beijos me apresentou plenitude, nenhum dos amigos deixou de fazer falta, e nenhum dos livros me satisfez - lembre-se: beijos não são só bocas, amigos não são só palavras e gerar obras literárias é tão difícil quanto esquecê-las.
Sim, eu resolvi mudar. Peguei o outro rumo da estação. Abri o guarda-sol e andei pelos trilhos. Lembrei de quem eu sempre fui, de onde eu realmente vim. Lembrei de quem plenamente faz a diferença e a importância na minha vida. Lembrei, que deitar numa rede e ficar horas olhando a lua, e contando as numerosas estrelas de uma cidade pequena, não é nada mau.
O que eu ganho com isso? Ganhei colo, cheiro, sensatez, sensibilidade. Ganhei vontade de ler, de escrever, de estudar, de crer, de imaginar. Coisas que talvez já não existissem num Guilherme que sempre soube o que queria.
Lembrei que fazer pé-de-moleque não é nada fácil, pra quem não quer queimar as mãos. Que cozinhar, para quem gosta, não é questão de saber e sim de tentar; tornar essência. Lembrei que as marcas e feridas do passado, não é conjecturar que você aprendeu com todas elas; é ter a certeza de que elas não vão mais te machucar, porque você é forte o bastante. Que é preciso de muito amor, para aguentar tudo o que fazem a você, e mais amor ainda, para retribuir os que te fazem bem; aliás, julgo que este é o mais essencial. Lembrei também, não mais importantemente, que por mais que falemos sempre que vamos virar a noite vendo filmes, dormimos nos primeiros dezessete minutos do segundo deles.
Lembrei, que a pureza de uma criança é a coisa mais gostosa e especial que você poderia presenciar. Ela te acaricia com uma mão tão pequenina, e te guarda em seu gigante coração. Te pede mimo, te pede carinho e atenção. Acredite, ela retribui sendo a alegria de todas as suas manhãs.
Neste fim de texto, num mês onde a criatividade anda fugindo de meus dedos, como lenços finos, deixo meu agradecimento. À Deus, pela vida coerente e ainda viva, à minha família e aos meus amigos. Obrigado a quem me entregou uma vida, um carinho e um imenso coração; talvez a ciência saiba porque os chamamos de mãe e pai. E gostaria de agradecer, aos fatos. As pessoas ao meu redor,os construiram aos poucos. Eles, mais que ninguém, me ensinaram que um grande homem - talvez não só ao meu ver- não é feito pelo número de garotas que você beija, nem ama; e sim o proveito que você tira de todas as suas decepções. Não é feito somente, pelos seus méritos de uma batalha conquistada; e sim, de quem ajudou você a levantar quando você mais precisava. Não é feito somente de conhecimento, mas também do prazer que consegue te fazer transmitir isso a quem realmente necessita. Sua fibra é feita de um conjunto de princípios; é preciso além de ter, ser. E acima de tudo, saber que você não é melhor que ninguém por isso.
Simplesmente, porque é bobo quem pensa que porque tem uma voz feminina para lhe amar ao telefone, ou dormindo em sua cama, não está sozinho.
Obrigado aos meus sonhos por continuarem intactos. Isso é deliciosamente e secretamente meu, pois só eles vão saber me guiar. Um dia eu vou voar e vivê-los de verdade.
Obrigado a tudo, e a todos. Num giro completo, hoje sei muito bem, quem eu realmente sou.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
segunda-feira, 26 de julho de 2010
"Ú, eu te amo"
A bicicletinha da pequena Joaninha, que pedala, pedala
E suas flores e floras do campo
O mambo e os cegos poloneses dos muros pixados
E as perninhas da pequena Joaninha, fininhas, fininhas
A cocó e o chicau! Batatinha, menos sal.
E como fala essa tal Joana!
Mas pouco a pouco a Joaninha fica cansada
E ela dorme como um anjinho, na noite fria da quente lua
Por não saber como andar na sua bicicletinha da pequena Joaninha que pedala, pedala e pedala.
E suas flores e floras do campo
O mambo e os cegos poloneses dos muros pixados
E as perninhas da pequena Joaninha, fininhas, fininhas
A cocó e o chicau! Batatinha, menos sal.
E como fala essa tal Joana!
Mas pouco a pouco a Joaninha fica cansada
E ela dorme como um anjinho, na noite fria da quente lua
Por não saber como andar na sua bicicletinha da pequena Joaninha que pedala, pedala e pedala.
domingo, 25 de julho de 2010
The moulin rouge.
As palavras me atropelavam; como a vida é maravilhosa, agora que você está no mundo.
Eu, se tivesse que morrer neste exato momento não temeria, pois nunca conheci plenitude como estar ao seu lado, sentindo seu calor, amando cada sussurro seu...Pra quer viver a vida de sonho em sonho e temer o dia, sem poder ver seus olhos acariciando os mes novamente?
Eu, se tivesse que morrer neste exato momento não temeria, pois nunca conheci plenitude como estar ao seu lado, sentindo seu calor, amando cada sussurro seu...Pra quer viver a vida de sonho em sonho e temer o dia, sem poder ver seus olhos acariciando os mes novamente?
sábado, 17 de julho de 2010
Hoje foi mais uma noite dormida. Antes fosse.
No chão da sala, desliguei a televisão e virei pro lado. Meus olhos deram pequenas piscadelas, e se fecharam. É meio estranho imaginar o que as pessoas pensam quando vão dormir. Normalmente, eu repasso o dia, ou dias anteriores, numa longínqua lembrança por dentro da minha mente. Relembrei brigas, sorrisos, sons personificados, acordes. Me lembrei inclusive, do livro que havia terminado de ler: o melhor dos ultimos 3.
E então adormeci. Eu sei que ninguém sabe quando adormece, mas nesse exato momento, começara um transe no qual eu não pensava em mais nada, apenas tentava dormir. O dia foi muito cansativo.
No meio de apenas uma das minhas boas noites de sono, surgiu um fato inesperado que etiquetou e colocou este na estante das noites estranhas. Me peguei sonhando a noite inteira com você.
Dizem, que nos nossos sonhos, nós apenas vemos nossos desejos mais profundos. Melhor dizendo: nós enxergamos não o que queremos em primeira instância, mas sim o que habita a nossa alma.
Nesse caso, ainda estou para me dedicar um dia inteiro a o que realmente quero, pois desconhecia esse fato.
E então, mais um fato inesperado: acordei. Perfeito, ser acordado às 8 da manhã com chuva lá fora, e cum grano salis.
Só falta ler no meu horóscopo: se jogue da ponte pois seu dia está uma merda hoje.
*Espaço reservado para onomatopeias de risadas escancaradas!*
No chão da sala, desliguei a televisão e virei pro lado. Meus olhos deram pequenas piscadelas, e se fecharam. É meio estranho imaginar o que as pessoas pensam quando vão dormir. Normalmente, eu repasso o dia, ou dias anteriores, numa longínqua lembrança por dentro da minha mente. Relembrei brigas, sorrisos, sons personificados, acordes. Me lembrei inclusive, do livro que havia terminado de ler: o melhor dos ultimos 3.
E então adormeci. Eu sei que ninguém sabe quando adormece, mas nesse exato momento, começara um transe no qual eu não pensava em mais nada, apenas tentava dormir. O dia foi muito cansativo.
No meio de apenas uma das minhas boas noites de sono, surgiu um fato inesperado que etiquetou e colocou este na estante das noites estranhas. Me peguei sonhando a noite inteira com você.
Dizem, que nos nossos sonhos, nós apenas vemos nossos desejos mais profundos. Melhor dizendo: nós enxergamos não o que queremos em primeira instância, mas sim o que habita a nossa alma.
Nesse caso, ainda estou para me dedicar um dia inteiro a o que realmente quero, pois desconhecia esse fato.
E então, mais um fato inesperado: acordei. Perfeito, ser acordado às 8 da manhã com chuva lá fora, e cum grano salis.
Só falta ler no meu horóscopo: se jogue da ponte pois seu dia está uma merda hoje.
*Espaço reservado para onomatopeias de risadas escancaradas!*
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Quem (mais que provável)
Quem, com o coração, ouviu bater a ponta do lápis no corte da folha, no giro do atlas e da áxis, quando o desenhista virou-se para te ver?
E quem mente com amor, e transforma a própria dor em crueldade sem compaixão?
Mas pior, é quem mente por maldade; afastou-lhe a idade, lhe quebrou o cristal.
Quem, com um mar de rosa aos próprios pés, observou o subir da maré, quando a lua riscou o céu?
Quem, por mais tristeza que habite e apavore a alma, por mais agitação que sobreponha a calma, saberá se controlar sem perder o sabor?
Quem, no último minuto do jogo, no milésimo do sufoco, por mim dará o troco
e me tirará o fôlego:
quem por quem, me transformará em um alguém, e me fará respirar de novo.
Te espero, sem saber se você vem.
E quem mente com amor, e transforma a própria dor em crueldade sem compaixão?
Mas pior, é quem mente por maldade; afastou-lhe a idade, lhe quebrou o cristal.
Quem, com um mar de rosa aos próprios pés, observou o subir da maré, quando a lua riscou o céu?
Quem, por mais tristeza que habite e apavore a alma, por mais agitação que sobreponha a calma, saberá se controlar sem perder o sabor?
Quem, no último minuto do jogo, no milésimo do sufoco, por mim dará o troco
e me tirará o fôlego:
quem por quem, me transformará em um alguém, e me fará respirar de novo.
Te espero, sem saber se você vem.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Sr Wizzi
Sentado na poltrona, ele ouvia a chuva caindo lá fora. Seu pequeno e apertado escritório lhe fazia menção a um cubículo formado por quatro estantes abarrotado de livros. O carpete ainda apresentava algumas manchas de café e gim - de vez em sempre, ele tomava umas e outras, e como antídoto, pedia para sua governanta para lhe levar um agrado; ela era a única que ainda lhe escutava, talvez pelo tempo gigante e idôneo em que conviveram um sabendo da existência do outro.
Sua mesa ficava ao fundo, como que de frente para a entrada. Tinha um abajour em cima, com uma cor celeste anil, uma caneta - a única coisa deixada por gerações além de seus livros,embora não lhe coubesse o poder- e uma grande papelada que ele hesitava mexer. No chão, uma garrafa colada, derrubada ao chão, meio cheia, e outra quebrada.
O relâmpago a seguir o fez embrulhar o estômago. Sentia a boca tremer. Olhou os quadros estemados e reouve na lembrança alguns antigos tempos. Ele costumava vê-los sempre que se sentia numa encruzilhada.
O telefone tocou.
- Sim?
Um chiado, um leve ruído, e o cutiliquê resolveu se pronunciar.
-Alô? Alô?
- Sim, diga.
Que sujeitinho me ligaria à essa hora da noite?
- ALÔ? (Antonieta, não consigo ouvir o outro lado da linha.. mas atenderam..deve ser a chuva.) ALÔ?! - ora falava ao telefone, ora ordenava a esposa.
- Veja bem meu caro, são 7 horas. Não estou no meu período soniloquente para falar sem querer ouvir, portanto diga logo o que você quer.
- (É, é melhor eu ligar mais tarde).
tu tu tu tu tu tu.
-MAS QUE DROGA!
Como assim, não lhe ouviam?! Ele falava, falava. Os pensamentos lhe enateiravam a cabeça.
Resolveu não insistir em tais juízos, e se levantou. Foi andando como se bailasse por eternas primaveras, como se o cansaço lhe tirasse a vontade de andar.
Eles se cansam é de esperar, nem se sabe o que, nem o porque. Pois nem andam, nem voam: flutuam, levemente deslizando sem encostar no chão, como um vagaroso trem bala.
Bela noite.
E assim, atravessa a estante e as duas partes de madeira que constituiam a parede.
Hora de procurar e aniquilar o sono de quem não o esperava.
Sua mesa ficava ao fundo, como que de frente para a entrada. Tinha um abajour em cima, com uma cor celeste anil, uma caneta - a única coisa deixada por gerações além de seus livros,embora não lhe coubesse o poder- e uma grande papelada que ele hesitava mexer. No chão, uma garrafa colada, derrubada ao chão, meio cheia, e outra quebrada.
O relâmpago a seguir o fez embrulhar o estômago. Sentia a boca tremer. Olhou os quadros estemados e reouve na lembrança alguns antigos tempos. Ele costumava vê-los sempre que se sentia numa encruzilhada.
O telefone tocou.
- Sim?
Um chiado, um leve ruído, e o cutiliquê resolveu se pronunciar.
-Alô? Alô?
- Sim, diga.
Que sujeitinho me ligaria à essa hora da noite?
- ALÔ? (Antonieta, não consigo ouvir o outro lado da linha.. mas atenderam..deve ser a chuva.) ALÔ?! - ora falava ao telefone, ora ordenava a esposa.
- Veja bem meu caro, são 7 horas. Não estou no meu período soniloquente para falar sem querer ouvir, portanto diga logo o que você quer.
- (É, é melhor eu ligar mais tarde).
tu tu tu tu tu tu.
-MAS QUE DROGA!
Como assim, não lhe ouviam?! Ele falava, falava. Os pensamentos lhe enateiravam a cabeça.
Resolveu não insistir em tais juízos, e se levantou. Foi andando como se bailasse por eternas primaveras, como se o cansaço lhe tirasse a vontade de andar.
Eles se cansam é de esperar, nem se sabe o que, nem o porque. Pois nem andam, nem voam: flutuam, levemente deslizando sem encostar no chão, como um vagaroso trem bala.
Bela noite.
E assim, atravessa a estante e as duas partes de madeira que constituiam a parede.
Hora de procurar e aniquilar o sono de quem não o esperava.
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