Sentado na poltrona, ele ouvia a chuva caindo lá fora. Seu pequeno e apertado escritório lhe fazia menção a um cubículo formado por quatro estantes abarrotado de livros. O carpete ainda apresentava algumas manchas de café e gim - de vez em sempre, ele tomava umas e outras, e como antídoto, pedia para sua governanta para lhe levar um agrado; ela era a única que ainda lhe escutava, talvez pelo tempo gigante e idôneo em que conviveram um sabendo da existência do outro.
Sua mesa ficava ao fundo, como que de frente para a entrada. Tinha um abajour em cima, com uma cor celeste anil, uma caneta - a única coisa deixada por gerações além de seus livros,embora não lhe coubesse o poder- e uma grande papelada que ele hesitava mexer. No chão, uma garrafa colada, derrubada ao chão, meio cheia, e outra quebrada.
O relâmpago a seguir o fez embrulhar o estômago. Sentia a boca tremer. Olhou os quadros estemados e reouve na lembrança alguns antigos tempos. Ele costumava vê-los sempre que se sentia numa encruzilhada.
O telefone tocou.
- Sim?
Um chiado, um leve ruído, e o cutiliquê resolveu se pronunciar.
-Alô? Alô?
- Sim, diga.
Que sujeitinho me ligaria à essa hora da noite?
- ALÔ? (Antonieta, não consigo ouvir o outro lado da linha.. mas atenderam..deve ser a chuva.) ALÔ?! - ora falava ao telefone, ora ordenava a esposa.
- Veja bem meu caro, são 7 horas. Não estou no meu período soniloquente para falar sem querer ouvir, portanto diga logo o que você quer.
- (É, é melhor eu ligar mais tarde).
tu tu tu tu tu tu.
-MAS QUE DROGA!
Como assim, não lhe ouviam?! Ele falava, falava. Os pensamentos lhe enateiravam a cabeça.
Resolveu não insistir em tais juízos, e se levantou. Foi andando como se bailasse por eternas primaveras, como se o cansaço lhe tirasse a vontade de andar.
Eles se cansam é de esperar, nem se sabe o que, nem o porque. Pois nem andam, nem voam: flutuam, levemente deslizando sem encostar no chão, como um vagaroso trem bala.
Bela noite.
E assim, atravessa a estante e as duas partes de madeira que constituiam a parede.
Hora de procurar e aniquilar o sono de quem não o esperava.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
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Fala, cara. Blz? Tô passando pra deixar um grande abraço, e dizer que me amarro muito em você, moleque. Que seu rumo seja o certo, que suas atitudes dignas de grande homem,que seu jeito seja simples e puro de uma criança, e que acima de tudo seu coração seja generoso, honesto e aberto. Virei amigo da sua mãe, através de um grande amigo-irmão que tenho. Antes você era uma criança, hoje posso te chamar de amigo. Um beijo no coração.
ResponderEliminarMarcelo ARISCO - MARICÁ-RJ
Esse sou eu! Ou pelo menos, poderia ser eu tranquilamente...
ResponderEliminarEu juro que até a parte do telefone, eu poderia jurar que tu tava falando de mim!
Sério, o escritório pequeno aqui de casa, o gim (vc sabe, eu adoro gim!), a governanta (Réeeeeeegina)... só faltou o cigarrinho! hahahaha