quinta-feira, 29 de julho de 2010

Dezessete

Já roubei dezessete beijos, fiz dezessete amigos, e li mais de dezessete livros. Nenhum dos beijos me apresentou plenitude, nenhum dos amigos deixou de fazer falta, e nenhum dos livros me satisfez - lembre-se: beijos não são só bocas, amigos não são só palavras e gerar obras literárias é tão difícil quanto esquecê-las.

Sim, eu resolvi mudar. Peguei o outro rumo da estação. Abri o guarda-sol e andei pelos trilhos. Lembrei de quem eu sempre fui, de onde eu realmente vim. Lembrei de quem plenamente faz a diferença e a importância na minha vida. Lembrei, que deitar numa rede e ficar horas olhando a lua, e contando as numerosas estrelas de uma cidade pequena, não é nada mau.

O que eu ganho com isso? Ganhei colo, cheiro, sensatez, sensibilidade. Ganhei vontade de ler, de escrever, de estudar, de crer, de imaginar. Coisas que talvez já não existissem num Guilherme que sempre soube o que queria.

Lembrei que fazer pé-de-moleque não é nada fácil, pra quem não quer queimar as mãos. Que cozinhar, para quem gosta, não é questão de saber e sim de tentar; tornar essência. Lembrei que as marcas e feridas do passado, não é conjecturar que você aprendeu com todas elas; é ter a certeza de que elas não vão mais te machucar, porque você é forte o bastante. Que é preciso de muito amor, para aguentar tudo o que fazem a você, e mais amor ainda, para retribuir os que te fazem bem; aliás, julgo que este é o mais essencial. Lembrei também, não mais importantemente, que por mais que falemos sempre que vamos virar a noite vendo filmes, dormimos nos primeiros dezessete minutos do segundo deles.

Lembrei, que a pureza de uma criança é a coisa mais gostosa e especial que você poderia presenciar. Ela te acaricia com uma mão tão pequenina, e te guarda em seu gigante coração. Te pede mimo, te pede carinho e atenção. Acredite, ela retribui sendo a alegria de todas as suas manhãs.


Neste fim de texto, num mês onde a criatividade anda fugindo de meus dedos, como lenços finos, deixo meu agradecimento. À Deus, pela vida coerente e ainda viva, à minha família e aos meus amigos. Obrigado a quem me entregou uma vida, um carinho e um imenso coração; talvez a ciência saiba porque os chamamos de mãe e pai. E gostaria de agradecer, aos fatos. As pessoas ao meu redor,os construiram aos poucos. Eles, mais que ninguém, me ensinaram que um grande homem - talvez não só ao meu ver- não é feito pelo número de garotas que você beija, nem ama; e sim o proveito que você tira de todas as suas decepções. Não é feito somente, pelos seus méritos de uma batalha conquistada; e sim, de quem ajudou você a levantar quando você mais precisava. Não é feito somente de conhecimento, mas também do prazer que consegue te fazer transmitir isso a quem realmente necessita. Sua fibra é feita de um conjunto de princípios; é preciso além de ter, ser. E acima de tudo, saber que você não é melhor que ninguém por isso.

Simplesmente, porque é bobo quem pensa que porque tem uma voz feminina para lhe amar ao telefone, ou dormindo em sua cama, não está sozinho.

Obrigado aos meus sonhos por continuarem intactos. Isso é deliciosamente e secretamente meu, pois só eles vão saber me guiar. Um dia eu vou voar e vivê-los de verdade.

Obrigado a tudo, e a todos. Num giro completo, hoje sei muito bem, quem eu realmente sou.

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